
terça-feira, 19 de outubro de 2010
A poeira da saudade...
Acho que somos como um daqueles vidrinhos desenhados com areia. Poeira colorida que retrata o lugar, um por do sol, um pequeno barquinho, uma praia talvez. Algumas vezes tempestade. Outras mesmo, só areia, quando se desenha só por desenhar. Mas o que vale mesmo é conseguir enxergar nosso desenho, e sentir cada grão de nossa poeira. Ouvir as cores, tocar o cheiro do sentimento, daquele pedaço de chão, ou de céu, ou de mar que nos forma. Sentir os ventos que nos levam e desenham, grão por grão, linha por linha, numa dança constante, de sorrisos, lágrimas e experiências. Ou ainda perceber os grãos que te escapam, e junto com grãos de outros, formar novos frascos de poeiras distintas, de ondas distintas, de cores distintas. O certo é que combinando vermelho, verde e amarelo, a gente vai caminhando nossas ruas, escrevendo e recontando as histórias que a gente escuta, revivendo insistentemente, mesmo não tão perto quanto gostaríamos, toda a poeira da saudade que nos move para frente.

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